sábado, 24 de abril de 2010

ROMANCE SOCIAL E NACIONALISMO

O Romantismo se inicia no Brasil em 1836, quando Gonçalves de Magalhães publica na França a "Niterói - Revista Brasiliense", e, no mesmo ano, lança um livro de poesias românticas intitulado "Suspiros poéticos e saudades".
Sabe-se que muitos fatos contribuíram para a formação do Romance Social no Brasil em que as décadas de 30 e 40 foram decisivas, o país nesse período passou por grandes transformações tanto no plano social como no plano político. Os romancistas contemplavam e refletiam sobre a situação do homem comum e era orientado por tendências, o crítico e historiador Alfredo Bosi considera a intensidade da tensão entre o homem comum e seu mundo e propõe distribuir o romance social brasileiro em quatro tendências, são elas:
a) Romances de tensão mínima: há conflito, mas este configura-se em termos de oposição verbal, sentimental quando muito: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura e da paisagem que as condicionam. Exemplos, as estórias populistas de Jorge Amado, os romances ou crônicas da classe média de Érico Veríssimo e Marques Rebelo, e muito do neo-regionalismo documental mais recente;
b) Romances de tensão crítica: o herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e do meio social, formule ou não em ideologias explícitas o seu mal-estar permanente. Exemplos, obras maduras de José Lins do Rego (Usina, Fogo Morto) e todo Graciliano Ramos;
c) Romances de tensão interiorizada: o herói não se dispõe a enfrentar a antinomia eu/mundo pela ação: evade-se, subjetivando o conflito. Exemplos, os romances psicológicos em suas várias modalidades (memorialismo, intimismo, auto-análise...) de Otávio de Faria, Lúcio Cardoso, Comélio Pena, Cyro dos Anjos, Lígia Fagundes Telles, Osman Lins;
d) Romances de tensão transfigurada: o herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade. Exemplos, as experiências radicais de Guimarães Rosa e Clarice Lispector.
O aparecimento do Romance Social esta ligado aos nomes mais consagrados de nossa literatura contemporânea, em que para o autor Florestan Fernandes “o romance não é um como se, é sobretudo vida e por mais que o autor evite sempre traduz alguma coisa que ultrapassa os quadros preestabelecidos, o essencial para ele é a fixação do drama cotidiano em que ressuscita os personagens”.
Com a passagem da sociedade democrática de “elites” para um sociedade “liberal” democrática de massas no campo da cultura, fez com que muitos autores se preocupassem com o povo humilde e ainda hoje muitos teem como tema de seus romances a burguesia. O romantismo tinha função de criar uma linguagem nova, de padrões mais simples de vida, seu traço essencial, é o nacionalismo e a exaltação de elementos nacionais, este corresponde ao nosso momento de luta pela emancipação política e afirmação da nossa nacionalidade. Os escritores tem um sentimento de missão em produzir um literatura empenhada, de criar uma cultura brasileira que se identificasse com suas verdadeiras raízes históricas, lingüística, a busca de elementos caracterizadores e diferenciadores de nossa nacionalidade, o forte sentimento de fidelidade a pátria e as suas tradições.
Portanto o romantismo enquanto movimento literário do ocidente foi ideal para as aspirações nacionais, pois sua estética negava as aspirações neoclássicas, pois a finalidade era a promoção do ideário nacional.



José de Alencar, o Patriarca do Romantismo brasileiro
Referências bibliográficas:



ALFREDO BOSI, História Concisa da Literatura Brasileira, São Paulo, Cultrix, 2" ed., 1975.
http://pt.shvoong.com/books/dictionary/1917975-romance-brasileiro-depois-1930/
http://www.espacoacademico.com.br/052/52ffernandes.htm